quarta-feira, 30 de março de 2016

EU IREI COM MINHA BANDEIRA VERMELHA DEFENDER A DEMOCRACIA BRASILEIRA

É amanhã, e eu  estarei com  minha bandeira  vermelha levando  minha voz,  o  meu  apoio,  a  minha esperança  para  a nossa democracia.
Eu vivi  um  golpe  militar,  tinha dez anos,  lembro  bem,  lembro  das feições do  meu  pai, perseguido  que foi  pelos militares,  das preocupações de minha  mãe, lá  na cidade  de Nilópolis no
Rio  de Janeiro em  plena  baixada fluminense.
Eu  sei  que  os tempos são outros, não  são baionetas  caladas, agora são  outras formas, umas sutis, outras  bem  declaradas, uma comunhão de gente, que  acomunadas com  outras forças, que não  querem   esse projeto de governo  legitimamente   eleito  pelo  voto democrático.
Eu  sei, quatro  eleições que essas forças  perdem, e duas delas  por uma mulher,  e diga-se  de passagem  não  é uma mulher  qualquer,  é uma guerreira,  um coração  valente, uma mulher que já
viveu períodos  amargos  quando  jovem,  e torturada  foi, e ela sobreviveu   e hoje  é a presidenta do
Brasil.
Estarei   junto ao povo, que  clama por dias melhores,  que nossa democracia não se  evapora, ou caia
na vala  comum, eu sou povo, eu sou  gente, luto  por dias melhores,  por minha  filha,  minha neta, luto  também  pela esperança  que todos sonhamos,  de um  Brasil   melhor,  mais justo, que os mais
pobres  possam  cada vez mais  melhorarem  suas vidas,  e dar  aos  seus perspectivas  melhores  de
vida.
Não  se quer muito,  mas o  que  queremos é cuidar  e  brigar por nossa  democracia    tão jovem que
está sofrendo  assédios  de ruptura.
O Brasil carece de  paz, queremos paz, para todos, afinal  somos todos irmão, uma terra  de muitas  raças irmanadas  num  só  objetivo,  um  País pra todos,  e  não  dividido.
Vamos  defender  a democracia,  se você  não  gosta do  governo atual, não  gosta  e não  tolera  a nossa presidente, não  gosta de petralhas, mas  tenho  certeza que  ama a  democracia,  gosta da liberdade,   então  vá,  grite  que queres paz,  que não  quer golpe, que quer apenas,   a democracia.
Não  precisamos de ódio  nas ruas, de brasileiros  brigando  entre si,  acredito  que  a luta  de todos  e
isso  nós todos  concordamos,  é  lutarmos  pela nossa democracia.
E  democracia é voto, se não  concordo  hoje  com o que  está ai, temos  e teremos  sempre  enquanto
democracia,  a chance de trocarmos  nossos  governantes  mas não  podemos  nunca  assassinar  nossa
democracia, e tudo  o que já foi  conquistado.
Amanhã, 31/03/16,  sim, estarei  com  outras  bocas,  outros  gritos,  outros  sonhos,  outras  esperanças, dizendo   bem alto, "golpe  não!!!!  democracia sim!!!  Vamos respeitar  o  estado  de direito   e todas as  conquistas sociais.!!!
Pensem nisso  enquanto  eu  vos digo  até amanhã.

MARIA E A MENSAGEM SOBRE DILMA

2 Dedos de Prosa: A menina que tocou os brasileiros com uma carta sobre a presidenta Dilma Rousseff




A menina que tocou os brasileiros com uma carta sobre a presidenta Dilma
A menina que tocou os brasileiros com uma carta sobre a presidenta Dilma
A escritora e militante feminista Maria Gabriela Saldanha, de 32 anos, não imaginaria que uma mensagem que havia publicado em sua página pessoal no Facebook fosse causar tanta comoção em mulheres e homens Brasil à fora. Ao resgatar a reflexão de que a presidenta Dilma é uma cidadã como todos os outros no país, humanizando sua imagem, Maria perfurou a bolha de ódio que Grande Mídia e setores golpistas da sociedade promovem. Nosso 2 Dedos de Prosa é com essa moradora da Zona Oeste do Rio, em produção de Bruno Trezena. Ao final da entrevista você encontra a íntegra da mensagem de Maria. Boa leitura!
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Bruno Trezena: Você é autora de uma mensagem para Dilma que fez muito sucesso na internet. O que deve essa grande repercussão?
Maria Gabriela Saldanha: Acredito que há muito tempo as pessoas já estivessem indignadas com a evidente pressão misógina e desumana que tem sido feita sobre a figura da Dilma – os xingamentos nas varandas das elites, o adesivo fazendo referência à cultura do estupro em carros de São Paulo, a cobrança de renúncia pelo estereótipo de fragilidade feminina – e quisessem expressar isso. Mas com a velocidade dos acontecimentos e da produção de informações em tempos de redes sociais, por vezes aquilo que queremos dizer fica para depois. Mesmo a nossa mobilização política fica prejudicada com esse ritmo e perdemos a noção de continuidade, então acabamos cedendo à pauta do dia. No entanto, em um momento de levante feminista, cujo contexto é favorecido também pela presença da primeira mulher na Presidência da República, seria impossível não perceber ou repudiar o fato de que quando uma mulher erra, seja na vida íntima ou na condução de um país, fatalmente está sujeita a mais agressões do que um homem na mesma posição. Nossa luta é até mesmo para que uma presidenta que possa ter cometido erros em seu mandato seja criticada apenas politicamente, sem que seja humilhada pela sua condição de mulher, sem que seja atacada com expressões que igualam sexualidade feminina à ofensa, pois uma só mulher ofendida dessa forma é algo que legitima agressões contra qualquer uma de nós.
Depois as pessoas não sabem como é que o Brasil é recordista em feminicídios, estupros e violência doméstica, a semente está nas pequenas condutas de ódio diário contra a mulher. Talvez o post tenha “viralizado” porque se propôs a resgatar essa perspectiva humanizando a presidenta, colocando-a no nosso cotidiano à semelhança de qualquer outra mulher, quebrando os protocolos, além de relembrar os horrores da tortura pelo regime militar e a sua vitória contra o câncer.
Mas é claro que eu jamais poderia imaginar que teria essa repercussão. Escrevo muito sobre feminismo, principalmente sobre relações abusivas, faço rádio, estou prestes a publicar meu primeiro livro e produzindo outros, e o meu perfil já era bastante seguido por esses fatores, mas nunca houve uma publicação que tivesse circulado tanto quanto essa. Foram pouco mais de vinte mil curtidas e quase sete mil compartilhamentos no post original, mais uma infinidade de prints, como o da página da Jandira Feghali, com quase oito mil compartilhamentos, sendo que ali foi muito especial, já que a Jandira é uma mulher que também admiro muito. É muita gente que ama a Dilma, sim, na contramão de todo esse descontentamento falso que a mídia vem nos vendendo.
BT: Encontrou eco na sociedade com sua iniciativa? Alguém te hostilizou?
MGS: Junto ao post utilizei a hashtag #mulherescomdilma, que já havia sido utilizada anteriormente para pontuar o apoio das mulheres de diversos movimentos à presidenta. Em outro post, na mesma data, propus que passássemos a manifestar o nosso apoio a ela sempre com essa hashtag, de modo que ela soubesse que a sua solidão política é bem menor do que foi levada a acreditar, assim como vimos dizendo umas às outras todos os dias. A partir daí, passei a ver as mensagens hostis na sua página sendo substituídas por um grande número de mulheres manifestando apoio, bem como alguns eventos foram criados nesse sentido e companheiras feministas me marcaram em diversas publicações utilizando a hashtag. Mais de cem pessoas me escreveram inbox, demonstrando apoio e mostrando suas iniciativas. Outras mulheres, a partir de outros lugares de poder, não ficaram caladas, o que não atribuo ao meu post, evidentemente, mas a esse sentimento que está nos tomando.
No dia 24, a ONU Mulheres publicou uma nota repudiando a violência sexista contra a Dilma. Depois, a cineasta Anna Muylaert dedicou o prêmio recebido de O Globo pelo filme “Que Horas Ela Volta?” aos que considera os verdadeiros pais das “Jéssicas” desse país: Dilma e Lula. Por outro lado, sofri hostilidade, sim, embora em um número muito menor. Alguns textos repletos de discurso de ódio nos compartilhamentos e até ataques pessoais bem imaginativos, onde gente incomodada com a visibilidade implicou com a ideia de levar tratamentos alternativos à presidenta, classificando uma iniciativa do tipo como algo de mulheres privilegiadas. O que essas pessoas não sabem é que faço parte de uma rede de mulheres que estudam feminismo, matriarcado e religiosidades/linguagens ancestrais diversas, mulheres de todas as cores, classes, de bairros ricos, da favela, do subúrbio e da Baixada Fluminense. Eu mesma sou moradora de uma comunidade de um bairro pobre da Zona Oeste do Rio. Trocamos material sobre isso como uma forma de resistência, repensando questões como a saúde da mulher, por exemplo, e temos um projeto de levar assistência gratuita a vítimas de violência de gênero, também de todas as cores, classes e regiões do Rio de Janeiro, sendo o primeiro núcleo na Baixada. Portanto, o que me levou a humanizar a Dilma no início do post não foi o seu status, foi precisamente o contrário: o fato de diariamente cuidarmos de mulheres me permitiu enxergá-la como uma de nós.
BT: O que você acha que pode ocorrer no país em termos de direitos numa ruptura democrática?
MGS: Penso que a Constituição já vem sendo rasgada todos os dias pela violência a que se encontram sujeitos os trabalhadores nas cidades e no campo, os membros de comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas, tradicionais como um todo, bem como pela atuação da Polícia Militar nas favelas, que é a que mais mata no mundo. Somente as polícias do Estado do Rio, governado pelo PMBD há tempos, e de São Paulo, nas mãos do PSDB há vinte anos, juntas, matam mais do que todos os países com pena de morte. Vivemos, portanto, em uma incessante e árdua construção democrática, não em uma democracia consolidada, sendo só um traço disso a crise representativa, que permitiu ao único partido no governo federal que desde a década de oitenta investiu realmente em programas sociais ser criticado dessa forma, como se ele fosse o inventor de todos os problemas que enfrentamos, inclusive da corrupção enraizada no cotidiano do brasileiro que vai às ruas com camisa da seleção. Portanto, quando falamos em uma ruptura democrática, para mim, diante desses debates sobre impeachment, estamos falando não sobre um primeiro ferimento, mas sobre o sepultamento de uma noção de Estado Democrático de Direito que até então embalava as nossas esperanças.
Tudo isso passa fundamentalmente pela atuação criminosa da mídia corporativa, cujos jornais de maior circulação e televisão aberta promovem uma verdadeira corrida do ódio, da indignação seletiva e da violação de direitos. Uma vez que a linha sucessória de Dilma estaria nas mãos do partido mais poderoso e beneficiado pelas falhas do sistema político, como o financiamento privado de campanhas, que é também o partido que lidera o Congresso Nacional mais conservador desde 1964 e o que pressiona o governo internamente para a adoção de medidas impopulares, acho que seria legitimado um leilão do Estado. Isto é, o abandono imediato das políticas públicas que hoje atendem minorias e que tiraram milhões de situação de extrema pobreza na era PT, bem como multiplicaram escolas, democratizaram o acesso à universidade etc., e sua substituição pela satisfação desavergonhada aos interesses do empresariado financiador das campanhas e patrocinador de todo esse espetáculo. Tudo isso se considerarmos “ruptura democrática” na hipótese mais suave, que é a do impeachment/golpe de Estado com manutenção das instituições, porque há pessoas que estão indo às ruas pedir algo muito além: o retorno do regime militar, ignorando (ou seria desejando?) toda a sua memória de torturas e desaparecimentos.
BT: Acredita em dias melhores?
MGS: [Risos] Acredito, sim! Não tenho o direito de não acreditar. É algo atrelado ao sentimento de resistência. Ser mulher e pobre é ter conhecido muitas formas de violência e mesmo assim viver em luta. Se continuo de pé, se me permito reconhecer companheiras em mulheres como Dilma e Jandira, é minha obrigação acreditar em dias onde todo ser humano tenha dignidade e pleno acesso aos direitos fundamentais.
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ÍNTEGRA DA MENSAGEM DE MARIA SOBRE A PRESIDENTA DILMA:
“Eu queria muito dar um abraço na Dilma. Queria levar umas amigas lá, pra gente fazer alguma comida pra ela, aplicar reiki, ministrar uns óleos essenciais, cuidar dela como um matriarcado faria mesmo. Rezo por ela. Vejo sua aparência exausta nas entrevistas, mas sua fala cada vez mais firme e sem medo, parece que finalmente entendendo que estamos com ela, que não precisa negociar governabilidade ou o que quer que seja com o patriarcado. Nenhum outro político está tão abatido, até porque sabemos: homens sempre se importam menos. Mas nós, não, nós estamos com bonecos imitando bebês nos braços desde que nos entendemos por gente. A vida humana desde sempre legitima a existência da mulher. O que fazem com ela não é diferente do que fazem conosco diariamente, a todo momento tentam nos matar em muitos níveis: sexual, emocional, politicamente. Essa mulher já teve câncer, já foi torturada com choques elétricos, abusada nos porões da ditadura militar, vem sendo chamada de puta nas varandas das elites, teve adesivo simulando estupro com o seu rosto estampado nos carros e ainda está de pé. Dilma ainda está de pé. Nós estamos de pé com ela, eu queria muito poder dizer isso pessoalmente. #‎mulherescomdilma‬”
Pensem nisso  enquanto  eu  vos digo até amanhã.

O NASCER DO GOLPE

Meninos, acreditem, eu vi nascer o medo

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"Eu ainda não tinha seis anos.
Morava num apartamento térreo, na Travessa Miracema, no Méier, onde havia um quartinho, externo, onde eu tomava café da manhã com meu pai: para mim, com leite, para ele jamais, porque detestava – como eu, hoje, só de olhar  e sentir o cheiro do leite fervido, porque se o fervia, então.
O pão era dividido: ele comia as cascas, eu o miolo:  Cascadura e Madureira, brincadeira com dois bairros do subúrbio carioca de onde vinha a família.
Sobre a mesa, o rádio Semp, all transistor, com o tamanho “portátil” quase de uma caixa de bombons e sua capa de couro, porque era bem precioso.
Dele, saem os tons inesquecíveis da velha Rádio Jornal do Brasil e diz-se algo que eu, óbvio, não entendi. Mas que o deixou lívido, silente, logo ele que sempre falou e fala pelos cotovelos.
Saiu repentinamente, largando porta do apartamento e o pequeno portão do prédio, que tinha um jardim à frente, abertos.
O guri, claro, foi atrás, pela porta, pelo jardim, pelo portão e alguns metros pela calçada direita da pequena rua, que desembocava diante da antiga Mesbla da Dias da Cruz, onde passavam os bondes, a principal “do lado de cá” do bairro dividido pela linha férrea, onde o lado esquerdo era o “de cá” e o direito “o de lá”.
Havia tanques, não bondes.
E daí guardo a memória do único dia em que meu pai foi fisicamente bruto comigo. Depois dos livros sumindo, papéis queimados ou picados no vaso sanitário, um “tio” que apareceu por lá e depois sumiu.
Eu só voltaria a encontrar a ditadura já molecote, quando ouvi algo sobre o filho de uma professora, amiga de minha mãe, “ter sumido”.
Sumia-se.
Sumia-se do Brasil – Chico, Caetano, Gil – ou sumia-se para nunca mais.
De política não se falava, salvo nas citações muito discretas e algo debochadas à “Redentora”, apelido da “Revolução” que viera nos devolver a moralidade e a democracia.
Os “coxinhas” de então eram os lacerdistas. Tão chatos que até a um mosquito batizaram de “lacerdinha”, porque zumbia o tempo todo e irritantemente.
E ainda tinha algo melhor que hoje, ao menos. Naqueles tempos,  além dos playboys da Zona Sul, lacerdistas eram as velhas chatas – as “mal-amadas” – que implicavam com a garotada e “dedo-duro” era a condição mais abjeta que alguém poderia ter. “(al)Caguete merece cacete”.
Não vou falar da política, que descobri nos anos 70 e que era tão fácil descobrir que, em 1974, o jingle que passava na Lei Falcão – a propaganda  eleitoral só de retratos e musiquinhas –  do partido consentido de “oposição” dizia: é o M, é o D, é o B, nem precisa explicar porque.
Quero apenas falar do medo, Quero apenas falar da escuridão opressiva, daquela que o Chico cantou que “na gente deu o hábito de caminhar pelas trevas, de murmurar entre as pregas, de tirar leite das pedras”.
Eu quero sair de novo por aquela porta, por aquele portão, e descer para as ruas onde agora não há tanques, mas por onde rolam as esteiras de uma mídia que esteve atrás deles quando eu não tinha nem seis anos. E que agora ocupa a vanguarda do golpe.
Como o flautista de Hamelin, ela diz que nos vai livrar dos ratos e, depois, sua melodia hipnótica serve para levar as crianças a uma caverna escura.
Eu estive lá. Não quero voltar. Não quero meus filhos lá.
À rua, à luz.
PS. ACHO QUE JÁ CONTEI PARTE DESTA HISTÓRIA AQUI. AOS QUE JÁ LERAM, PERDÃO: VELHOS REPETEM. MIL VEZES, UM MILHÃO DE VEZES, SE FOR PRECISO PARA EVITAR O MAL ÀQUELES A QUEM ELE QUER BEM."
Pensem nisso enquanto  eu  vos digo até amanhã.

AS CONTRADIÇÕES EXPLICADAS

Auler disseca as contradições de Gilmar, Janot e Dallagnol

trincajur
"Marcelo Auler, em seu blog, desmonta meticulosamente as máscaras de três protagonistas do tempo de judicialização da política e de politização da Justiça que vivemos.
Primeiro.  o ministro Gilmar Mendes, que disse que nomeação de Luis Inácio Lula da Silva para ministro por entendê-la como uma forma de obstruir a Justiça e “dois dias depois, ao se manifestar nos processos movidos pelo PSDB e PPS contra a nomeação de Lula, Mendes, transformou em decisão o pré-julgamento que fizera. Como estivesse lendo o futuro numa bola de cristal, explicou: “Pairava cenário que indicava que, nos próximos desdobramentos, o ex-presidente poderia ser implicado em ulteriores investigações, preso preventivamente e processado criminalmente. A assunção de cargo de Ministro de Estado seria uma forma concreta de obstar essas consequências. As conversas interceptadas com autorização da 13ª Vara Federal de Curitiba apontam no sentido de que foi esse o propósito da nomeação”, expôs ao determinar a suspensão da posse de Lula e a remessa das investigações contra ele para o juiz Sérgio Moro. ”
A Gilmar, diz Auler “não precisou muito tempo para a máscara cair. No sábado, (26/03),  O Estado de S. Paulo noticiou a reabertura de  ações de reparação de danos por improbidade administrativa” contra os ex-ministros Pedro Malan , José Serra e Pedro Parente  e contraos ex- presidentes  do Banco Central Gustavo Franco e Francisco Lopes, além dos diretores Alkimar Andrade, Henrique Barroso Franco, todos do Governo FHC , impetradas em 1995 e 1996, pelo então procurador-geral da República, Antônio Fernando Souza.
Ações paralisadas desde 2002,quando Mendes as avocou, e arquivadas em 2008 por decisão dele mesmo, pouco antes de assumir a presidência da Corte. A arquivamento que seus colegas do Supremo entenderam indevido.
Auler pergunta: 14 anos depois “quem mesmo obstruiu a Justiça?”
O segundo personagem é Rodrigo Janot. Diz Auler ,  que ” soa completamente estranha” a tese de Janot de que se deve autorizar o ex-presidente Lula a ser empossado como ministro da Casa Civil de Dilma, mas manter as ações contra o mesmo na 13ª Vara Federal de Curitiba, do juiz Sérgio Moro.
Não existe qualquer precedente nesse sentido, afirma o   reporter , e “Janot está jogando para seu público interno, principalmente os procuradores da Força Tarefa da Lava Jato que em passado não muito longínquo tiveram uma queda de braço com o Procurador-geral. E ganharam”.

Ele  diz que “o procurador se esqueceu” do artigo 37, parágrafo 5º da Constituição que reza:O terceiro personagem de Auler é o procurador-chefe da Força Tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, que deu, em entrevista, a prescrição temporal como razão da não-investigação de desvios ocorridos em governos anteriores ao de Lula.

Art. 37  – § 5º- A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados por qualquer agente, servidor ou não, que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações de ressarcimento. 
“Ou seja, os prejuízos causados ao erário por atos de improbidade administrativa são imprescritíveis. Tanto assim que o Supremo acaba de mandar reabrir um processo que é de 1995, cujos atos que geraram o possível dano ao erário – a ajuda a bancos falidos, mal administrados, em nome de se manter todo o sistema – foram praticados antes disso, portanto, há mais de duas décadas”, diz Auler, demolidor."
Pensem nisso  enquanto  eu  vos digo  até amanhã.

terça-feira, 29 de março de 2016

SINDICATO DE LADRÕES ROUBANDO A DEMOCRACIA BRASILEIRA


Não sabemos o que virá caso realmente a presidente Dilma, seja tirada do poder, por um golpe insano, e louco, acontecer com o Brasil, as consequências todos já sabemos que poderão ser nefastas e dolorosas.
Nossa jovem democracia, já sofreu esse golpe, que está prestes a acontecer, e o lamentável disso é que nossas casas do Direito que cuidam da nossa 
Constituição parecem que estão lavando as suas mãos.
Então podemos depreender que todos os poderes constituídos estão maculados por mãos sujas. Não podemos diante disso pensarmos diferente.
E acharmos que por um passe mágico, tirando uma presidenta eleita pelo voto e ser cassado esse mandato por um golpe covarde, por políticos por sua maioria estão com as digitais de crimes praticados, respondendo processos, outros réus, o País, será outro, os problemas resolvidos ?
Ledo engano, isso é um conto da carochinha , conversa para boi dormir. Jamais imaginei que isso poderia acontecer, e está acontecendo, essas próximas horas, o Brasil poderá explodir, e não sabemos o que vai acontecer.
Estamos perdendo, a noção real das coisas, a OPERAÇÃO LAVA JATO, já retirou do mercado, mais de 500 mil trabalhadores, isso uma amostra, apenas. E quem pagará essa conta ? Esse prejuízo?E o dia seguinte ? imagino como vai ser, a sanha louca de golpistas, rindo para as câmaras de tv, fazendo discursos que agora o Brasil será outro, e toda essa mídia golpista vai repercutir para os desavisados de plantão, que o futuro chegou, o Brasil será outro.
Não podemos de registrar aqui, e eu o faço. por dever de responsabilidade ao menos com a minha consciência de cidadão, que apenas escrevo, dando a minha simples opinião de alguém que lamenta tudo isso, nossa jovem democracia foi esfaqueada, simplesmente porque acharam melhor tirar uma
presidente do poder por interesses outros, que afirmo, será difícill saber, porque essa mídia mentirosa que está aí, vai omitir e não vai dar ao cidadão brasileiro as informações que ele precisa.
O mundo sabe o que está ocorrendo aqui é um golpe. Golpe sujo patrocinado, por uma mídia golpista, e um sindicato de ladrões que estão no Congresso Nacional, apoiados, todos por uma justiça, STF, e MP ,OAB, e outras forças que
estão nessa trincheira.
As conquistas sociais, que o povo, principalmente os mais humildes, serão
totalmente demolidas, e voltaremos sem sombras de dúvidas ao que éramos
antes,um PAÍS que será um quintal para os abutres estrangeiros, o Brasil vai perder muito, com certeza, e o povo quando se der conta, será tarde.
E justiça ? Qual justiça ? Digo sempre, e dizia em conversas com amigos, que o Brasil sempre foi dirigido por uma casta encastelada nos diversos níveis de poder e seria muito difícil mudar isso, e infelizmente, hoje, eu concordo comigo mesmo, eu tinha razão.
Que DEUS nos proteja desse crime contra a nossa jovem democracia.
Pensem nisso enquanto eu vos digo até amanhã.

segunda-feira, 28 de março de 2016

UMA CARTA PARA MICHEL TEMER

28/03/2016 -

Carta Aberta a Michel Temer: Em busca da ética

Fazer parte de uma trama que culminará em uma puxada de tapete é a mais pura traição, um ato dos mais fracos, dos chamados oportunistas.

Luciana Burlamaqui
Valter Campanato/ Agência Brasil
Senhor Vice-Presidente,
 
"Hoje o nosso país vive à beira de um abismo. Não o abismo do clichê monotemático da ”crise” criada, manipulada e bombardeada principalmente pelas organizações Globo como verdade, antes dela sequer existir, e cantada em coro pelas vozes de partidos da oposição ao governo federal, que nunca se conformaram em perder uma eleição e, assim, ficarem longe do “poder”, ainda que fruto de um resultado democrático.  
 
Este abismo ao qual me refiro, é o abismo da indecência e da indignidade humana. Todos os dias vimos homens maduros, infelizmente apenas na sua idade, se curvarem de joelhos para ganhar um holofote a mais como trampolim, para que em nome de suas ambições individualistas e pequenas, possam abocanhar um pedaço maior do bolo da nação. 
 
Ainda que vozes que se auto intitulam povo, bradem com pouquíssima consciência pelo impeachment da presidenta Dilma, muitos de nós sabemos e o senhor ainda mais, que não há razão jurídica para isso, baseada nas pedaladas fiscais, e que o momento politico é completamente diferente daquele vivido no governo Collor em 1992, até a sua derrocada. 

 
Imagino que o senhor vem acompanhando também outras vozes das ruas; a dos movimentos sociais (aqueles que vivem na pele, mais do que qualquer um de nós “o tour de force” da sobrevivência humana), dos juristas de ilibada reputação, dos religiosos equilibrados, dos artistas, dos escritores, músicos, cineastas etc que são unânimes a favor do combate à corrupção, mas fortemente contrários a qualquer tipo de traição e golpe aos mais de 54 milhões de eleitores que votaram no mandato Dilma-Temer. 
 
Estas vozes não se medem apenas pela quantidade, apesar de não serem poucas, mas pela sua capacidade de mobilização; pela sua contribuição histórica para a música, a poesia, a literatura, o cinema; a construção simbólica, cultural, subjetiva de nosso país que faz com que quando você diga Brasil, a palavra emane versos, imagens, letras e melodias que dão forma a nossa alma, para nós mesmos e para o mundo. 
 
Caro Temer, ouça essas vozes. Elas saíram diretamente do coração e das entranhas do nosso país. São profundas, têm valor. Não falam para o próprio umbigo, não almejam cargos, não visam vingança. Elas pedem uma virtude básica para a vida em qualquer sociedade: a ética. E ecoam seu clamor em brados retumbantes, na esperança de que a história brasileira não se manche mais uma vez pelo o que há de mais pequeno e covarde no ser humano: a traição.  O homem como ser que já nasce sabendo que irá morrer, terá sua  história escrita primeiro, por sua própria consciência, sem falsas alegorias de uma elite vingativa e egoísta, usadas para legitimar um golpe dos opositores politicos do Congresso Nacional, que pisam não apenas na constituição, mas que ignoram um clamor democrático que dá sentido ao nosso espírito maior.
 
Este homem terá depois, sua história traduzida em versos, melodias, livros e filmes, peças que perpeturão ad infinitum, pelos territórios além da bolha obtusa dos gabinetes politicos e das redes de TV brasileiras, já arcaicas e obsoletas em suas escolhas maniqueístas e pouco responsáveis, que visam a manutenção de seu status quo em detrimento do avanço intelectual da maioria. 
 
Caro Temer, se assumiu o risco de ser vice-presidente da república, não se vingue da nação que o elegeu por ambições que não compactuam com o nosso voto. 
 
Este não é o seu primeiro mandato como vice-presidente. O senhor é co-autor deste governo. A renúncia à vice-presidência é um ato digno, caso não concorde mais em fazer parte do governo, como parece ser o caminho do partido que o senhor preside. A renúncia à presidência, caso aja um impeachment é também um marca de caráter por não legitimar um golpe.  
 
Mas fazer parte de uma trama que culminará em uma puxada de tapete, para assumir a Presidência da República, sem os votos contabilizados pelo nosso sistema democrático, arduamente construído, é a mais pura traição, um ato dos mais fracos, dos chamados oportunistas. A presidenta Dilma não é menos honesta do que o senhor.
 
Nenhum legado vale a pena ser deixado na história, construído nestes alicerces que cedo ou tarde serão destruídos por outros traidores, seguindo a máxima da vida entre predadores que sempre se auto-destroem. 
 
Quando tomar sua decisão sobre o momento politico em que o país vive, não renuncie ao que resta ao homem como seu último suspiro de existência: a ética. Se não fizer isto pelo país, faça-o pela sua própria dignidade e pela memória que irá deixar na política brasileira.  
 
Que na lápide da sua consciência seja escrita uma história de coragem e respeito à verdadeira democracia. 
 
Luciana Burlamaqui 
 
Luciana Burlamaqui é jornalista, cineasta, diretora do longa-metragem Entre a Luz e a Sombra e produtora da Zora Mídia, voltada para produção de filmes focados em temáticas humanistas."

Pensem nisso enquanto eu vos digo até amanhã.

UMA CARTADA PARA O GOLPE


Temer queima o barco

TEREZA CRUVINEL



:

"Muitos foram os peemedebistas que lhe ofereceram os fósforos mas houve também o que fizeram advertências sobre o que ele enfrentará se for empossado.
Com o rompimento do PMDB, o impeachment de Dilma torna-se mais provável. O governo, pescando no varejo, pode garantir no máximo uns 15 votos de pemedebistas. Mas, para além dos votos contra o impeachment, há o efeito político sobre outros partidos e parlamentares.
A partir de hoje, Temer estará à vontade para articular a maioria de 342 votos necessários à aprovação do impeachment na Câmara, o que passa pela negociação com outras siglas sobre a composição de seu eventual governo.  Os ministros do PMDB terão até o dia 12 para pedir demissão, mas Henrique Alves, do Turismo, demitiu-se ontem. Afora os sete ministros, mais de  500 peemedebistas ocupam cargos no governo federal e eles serão um primeiro problema para Michel, que precisará lhes garantir a permanência em seu eventual governo, embora vá ter que dividi-lo com o PSDB, o DEM e outros partidos da oposição. Mas isso são ninharias que o fisiologismo resolve.
Mais complicado, se o impeachment, passar, será governar. Se a Câmara autorizar a abertura do processo contra Dilma na primeira quinzena de abril, o Senado ainda terá que aceitar ou não a instauração do processo.  Decisão por maioria simples de 41 votos, algo mais tangível para o Planalto. Mas se o governo for novamente derrotado nesta segunda chance, Dilma será afastada do cargo inicialmente pelo prazo máximo de 180 dias, até que o Senado conclua o julgamento. Nesta fase, Michel será presidente interino. Terá que formar um governo provisório com as forças que apoiaram o impeachment e sob o signo da provisoriedade terá que lidar com a crise econômica e com a reação das ruas.
Seu governo provisório, diferentemente do de Itamar Franco nesta mesma fase, não contará com a boa vontade geral, muito pelo contrário, disse-lhe um amigo contrário ao rompimento. Será infernizado pelos defensores de Dilma, que continuarão nas ruas com a campanha “não vai ter golpe”.  Um aviso neste sentido foi dado com todas as letras nesta segunda-feira pelo líder do governo no Senado, Humberto Costa, em discurso na tribuna. E, diferentemente do que houve com Itamar, Temer terá oposição no Congresso, ainda que formada apenas pelos partidos fechados com Dilma, PT, PC do B e PDT. Com Itamar, mesmo não participando do governo, PT e esquerdas baixaram as armas e colaboraram.
O PSDB, que nunca gostou do PMDB (que renegou ao romper para fundar a nova sigla), vai sentir-se o portador da vontade política que resultou no impeachment, exigindo uma hegemonia conflitante  no eventual governo.
E para a História, ainda que o STF venha a homologar a acusação apresentada contra Dilma, a de que as pedaladas fiscais, prática corrente em toda as federação, constituem crime de responsabilidade,  ficarão registrados os ecos do “não vai ter golpe”,  a resistência dos movimentos sociais, a divisão do país e do meio jurídico. Para a história e para a biografia de Temer.
A busca do poder exige que um político corra riscos, e Temer decidiu enfrentá-los. Bem maiores, porém, serão as consequências da ferida para a democracia brasileira e da turbulência para o conjunto dos brasileiros."
Pensem nisso enquanto  eu  vos digo  até amanhã.

NÃO TENHAMOS MEDO DE AMAR

"É preciso te falar das minhas noites De angústias e dor Só o tempo é quem vai dizer Quem vai perder no jogo do amor Eu não quero mais ...