domingo, 6 de maio de 2018

O JORNALISMO BRASILEIRO PRECISA SE REINVENTAR

O jornalismo brasileiro se realinha temendo a história


"É muito suspeito um incêndio cinematográfico no Primeiro de Maio mais anunciado da história, com a pauta Lula Livre e Free Lula estalando o sentido no Brasil e no mundo. A tragédia imediatamente vira produto e se alastra pelas mídias todas. É o salvo conduto noticioso mais seguro para golpistas que querem esmagar a realidade factual da prisão política de Lula. Incêndio na madrugada do Primeiro de Maio?
Como o avião de Eduardo Campos, o avião de Teori Zavascki, a execução de Marielle Franco, a tragédia do Largo do Paissandu é mais um capítulo das tragédias humanas que servem a interesses muito claros: estancar um processo noticioso que avança em todas as mídias de maneira irresistível.
Percebam comigo: a imprensa tradicional está em um momento de realinhamento. Isso é fato. O discurso do impeachment e do anti-petismo não “agrega” mais. Prova disto é a Folha elogiando o SUS e publicando fotos do Lula no meio do povo (o que não fazia antes da prisão dele).
A imprensa já entendeu que, se quiser sobreviver a este processo do qual foi protagonista, terá que reorganizar sua maneira de conceber a realidade e de fazer jornalismo. Essa inflexão, no entanto, melindra e assusta o segmento golpista que opera no submundo da política. Para esses, não há necessidade de realinhamento nenhum: se algo os está prejudicando, a ordem é agir da boa e velha maneira mafiosa, com factóides, fakenews, boatos e achaques.
Ocorre que o colapso da cena social e política foi tão drástico com a prisão de Lula que essa estratégia não está mais dando certo. A propagação de fakenews atingiu um ponto de basta. Aceite-se ou não, a “vacina” para as fakenews já está correndo no sangue dos usuários de rede e da sociedade brasileira. É natural. Um parasita corrói e se alastra por um organismo e, caso esse organismo não morra de uma vez, os anticorpos começam a agir. Não é preciso fazer muito esforço para chegar a essa conclusão.
Destaque-se que MBL e seguidores de Bolsonaro já foram punidos pelo Facebook por propagarem fakenews. O bloqueio de contas do MBL e de simpatizantes de Bolsonaro foi outro ponto de inflexão importante da cena política nacional que passou ao largo da percepção das mídias, justamente porque a notícia Lula tomava – e toma – conta das pautas.
Mas, essa notícia também sofreu um impacto interno com a prisão de Lula. Lula preso muda toda a dinâmica da produção de notícia no país, embora os céticos entendam que não (para os céticos, tudo continua do mesmo jeito sempre; a mudança conjuntural é uma ameaça aos seus castelos de areia estática e desesperançada).
O que mudou com Lula preso? A popularidade dele aumentou, a intenção de voto nele aumentou, a rejeição ao golpe aumentou e o mundo passou a olhar para o Brasil com mais atenção e indignação. Preso, Lula é uma bandeira muito forte. Todos sabíamos disso, golpistas e progressistas. Os golpistas, no entanto, na cegueira de seu ódio, esforçaram-se para não enxergar esse óbvio prognóstico, dado como certo em todas as mídias digitais e pesquisas de opinião.
A movimentação do discurso da imprensa, portanto, tomou de assalto os próprios atores golpistas. Eles se assustaram com uma Folha de S. Paulo publicando fotos e matérias que resgatam sutilmente o legado de Lula e dos governos do PT.
Essa percepção ainda demanda atenção muito técnica e detida, uma vez que a impressão geral e intuitiva é a de que a imprensa continua a operar como mantenedora do golpe. Mas, advirto que a mudança está em curso.
A parte mais sensível a essa mudança, obviamente, é o próprio consórcio do golpe. Como em toda a história do jornalismo mundial, as editorias compram uma ideia, fazem dela seu ganha-pão publicitário, estimulam tudo o que for preciso em termos de emoções atávicas dos leitores-consumidores, e surfam em uma onda favorável de ruptura institucional que gera uma pletora de notícias diárias, fazendo vender jornal e mantendo tudo e a todos em rédea ideológica curta (agentes financeiros e políticos comem a ração discursiva na mão dos operadores da mídia corporativa).
Mas, como tudo nesse mundo, os processos saturam e encontram seu ocaso. Não há como controlar isso. Nós vivemos agora este exato momento de inflexão. A imprensa e suas editorias perceberam isso e começam a abandonar um barco que não tem mais condições de flutuar. Fazem isso delicadamente para não chamar a atenção, mas esquecem que há especialistas de olho no seu realinhamento prático e técnico.  
Em suma, a imprensa quer fazer novamente e de maneira acelerada – uma vez que o tempo histórico não é mais a ‘lentidão’ do século 20 – sua “desadesão” de um crime de traição da soberania nacional: ela apoiou o golpe de 64 (e todos os outros) e quando viu que não dava mais para “segurar” a onda, mergulhou na campanha das diretas, em 1984. Posou de heroína e realmente ficou, durante muito tempo, consagrada como uma instituição que combateu a ditadura. Hoje, até isso ela perdeu – o que não é pouco.
Esse momento retorna com a prisão de Lula. A imprensa – Folha de S. Paulo à frente - se sentiu “liberada” da dicção vingativa que tomou suas páginas desde 2005, quando a ficção do processo do mensalão pautou suas operações diárias de maneira monotemática e obsessiva. Como não há mais clamor pela prisão – ela já aconteceu, isso é impossível de negar – e esse clamor era o motor principal de ação simbólica de todo o jornalismo, é preciso “trocar” o gatilho discursivo para girar a moenda da produção de notícia.
A Folha de S. Paulo, como de costume, sente antes os grandes deslocamentos de sentido que operam no cenário conjuntural. Foi assim nas diretas: ela foi o primeiro veículo que aderiu abertamente a redemocratização.
Há um dado incontornável nessa disrupção que tende a “corrigir” artificialismos históricos: a classe intelectual digna do nome, mais cedo ou mais tarde, manifesta-se com muita assertividade pela retomada democrática do curso da história. O arbítrio institucional, por mais forte que seja em um dado momento, é incompatível com a arte e com a produção de conhecimento (a academia e a pesquisa). É por isso que quase todos os artistas do país neste momento pedem Lula Livre, até aqueles que se mantiveram recentemente em posição discreta. Repito: a prisão de Lula realinhou as percepções e os enunciados.  
Mas há um detalhe ainda mais sutil e ao mesmo tempo sofisticado: da mesma maneira que arte e a ciência não podem se contrapor à democracia, a própria produção de notícia, a rigor, também não pode. Ela pode se dar ao luxo de se “desalinhar” estrategicamente durante um determinado tempo, mas não para todo o sempre.
É esse sentido de retomada do gesto jornalístico que começa a querer reocupar as redações brasileiras, saturadas e esgarçadas depois de tanta editoria encomendada e deliberadamente paga. Traduzindo: quer-se voltar a fazer jornalismo, mesmo que esse gesto seja arriscado (para eles) e exija alguma humildade conceitual.
A imprensa corporativa brasileira se sentiu tremendamente diminuída com as pautas recentes da imprensa internacional a respeito da cobertura na prisão de Lula. Além de não seguir a imprensa brasileira em nenhuma situação jornalística, a imprensa internacional ainda a taxou de “golpista” e “parte do problema” em vários momentos. Isso é humilhante.
Colunistas, empiricamente tão à deriva quanto suas funções em futuro próximo, perguntavam-se: “por quê?”. Por que o The New York Times vai confiar mais nas mídias alternativas brasileiras para fazer o seu editorial do que nas nossas matérias e percepções? Por que o Le Monde, o The Washington Post, o Libération, o Der Spiegel chamam Lula de preso político?
Isso apenas mostra que a concentração da mídia brasileira é um escândalo internacional e tanto melhor seria se esse assunto – da concentração – fosse logo esquecido. Mas como fazer isso com a internet a todo o vapor? Difícil.
É por isso que a imprensa corporativa começa a entender que sua sobrevivência corre sério risco. Não há nada de novo nisso, como dito acima: a história se repete e não é nem como farsa: é como protocolo.  Embora pareça, a imprensa é como a ‘alegria libidinal’ dos bêbados: não tem dono. Pelo menos, não no sentido de um “dono” com nome, sobrenome e RG. O dono da imprensa é o mercado. E o mercado é muito instável, sabemos. Ele pode acordar com uma imensa culpa e recomeçar um processo de “crise existencial”. Não há por que subestimar as fragilidades do mercado nem da imprensa.
Outro fator importante que pode ter mexido com a adesão irrestrita do jornalismo institucional ao golpe é a absoluta incompetência dos agentes golpistas. A imprensa percebeu que eles são tecnocratas desconectados com toda e qualquer realidade empírica da economia. Acreditem: a imprensa precisa do mercado tanto quanto nós. A falência da economia prejudica a todos, de A a Z.
Isso talvez explique a função diversionista que uma notícia como o desabamento do prédio no centro de São Paulo pode apresentar. Ela emerge como uma força de contenção que visa estancar o caminho de volta ao jornalismo e às pautas legítimas de cobertura noticiosa que são a razão de ser da profissão de jornalista.
Um jornalista de vocação, por mais que ame o seu salário e faça loas a práticas de submissão e subserviência, um dia vai querer produzir aquilo para o qual foi “treinado”: a informação. Viver “espancado” pelo mundo da ciência, da arte e dos segmentos progressistas, não parece ser lá muito agradável.
A retomada do jornalismo brasileiro não será fácil nem indolor. O Brasil é um país rico e complexo até nisso: nós temos “história jornalística”. Barões da mídia nasceram e morreram, correspondentes fizeram história com grandes relatos, escritores, cronistas, cartunistas, adesistas de momento ou não, têm à disposição uma rica memória narrativa, de muita resistência.
O jornalismo é múltiplo dentro da sua própria bolha empresarial e política. Não fosse isso, não teríamos tido um Henfil, um Ziraldo, um Vladimir Herzog, um Pasquim, um Janio de Freitas que até hoje se esforça para produzir um texto independente e consequente.
Muita gente vai ficar para trás nesse processo de realinhamento do jornalismo pós prisão de Lula. É a hora do “vamos ver”, a hora “da onça beber água”. Esse fenômeno é incontornável – porque ele é espontâneo e não tem um patrocinador em especial; o patrocinador é a própria linguagem e a história. E ele avança a passos largos e a cada dia que Lula fica preso ele se intensifica mais.
A linguagem não é apenas constituída de palavras e sentidos. A linguagem é constituída de tons e acelerações. O tom da imprensa, chamado tecnicamente de ethos, sofreu um solavanco com a prisão de Lula. É a chance de ela, inclusive, reordenar-se para garantir a sua sobrevivência no mundo cada vez mais competitivo da informação. Até isso, Lula foi generoso: ele dá a chance, com sua prisão em gesto de sacrifício, para o jornalismo brasileiro se reinventar e permanecer vivo.
É também por isso que temos que abrir muito bem os nossos olhos. A parte mais truculenta do segmento golpista não irá aceitar esse realinhamento de sua antiga sócia e irá usar de todas as formas e trapaças para continuar no jogo."

Pensem   nisso  enquanto  eu  vos  digo  até  amanhã.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

POEMA
POETA: ALVARO DIAS

O AMOR NÃO É PARA SEMPRE "Nenhum amor é para sempre. O sempre é o sempre, mas o sempre não existe. Nenhum amor é para sempre. Preenche um tempo, mas no amor a vida se esvai. O amor não é para sempre. Quando acaba, a gente não percebe, mas sente."

Pensem nisso enquanto eu vos digo até amanhã.

ESTOU TRANQUILO E SERENO, DIZ LULA DA PRISÃO

UMA CARTA PARA MICHEL TEMER


Carta aberta a Michel Temer





Marcos Corrêa/PR

"Há algum tempo, depois de viver por mais de seis anos na Europa, decidi voltar a morar no Brasil, a pátria que amo e o país em que nasci, neta de sírio-libaneses, assim como o senhor.
Voltando a viver aqui, há alguns anos, fui descobrindo um Brasil mais inclusivo, com muitos problemas ainda, mas com milhões de pessoas deixando a fome e a miséria desumanas, com jovens negros tendo a chance de estudar em uma universidade pública, uma senhora que havia trabalhado na casa da minha mãe na minha infância e de quem eu gosto imensamente, comprando sua casa própria, as pessoas tendo mais sonhos e sendo atendidas com dignidade pelo programa Mais Médicos.
Celebrei a chegada das cotas universitárias porque acredito que temos uma dívida social histórica para com os jovens negros, celebrei programas sociais como o Bolsa Família, semelhantes a programas que vi na Itália e que dão dignidade a milhares de italianos muito pobres (sim, eles existem e são muitos), percebi, com alegria, a mudança que esses programas brasileiros significavam para os nossos irmãos mais pobres.
Mesmo que ainda tivéssemos injustiças abissais e uma mentalidade escravocrata e bastante segregadora por parte de muitas pessoas com quem eu convivi, o Brasil estava lentamente mudando, combatendo a desigualdade social e olhando sem medo para os seus filhos mais sofridos.
Como alguém que sonhava desde criança com um Brasil em que outras meninas tivessem as mesmas oportunidades que eu tive e que via um oceano de mudanças sociais pela primeira vez, eu acreditei que ninguém mais poderia nos deter, ninguém poderia nos impedir de avançar, e ninguém poderia nos conduzir de volta ao passado.
Eu estava errada.
Quando descobrimos o Pré Sal, eu estava em Roma por algumas semanas, entrevistando algumas mulheres para o livro que estava escrevendo, quando um amigo italiano com quem eu almoçava na Piazza di Spagna, me disse:
- Lucia, ninguém mais segura o Brasil, o gigante do Hemisfério Sul, um país que está combatendo a desigualdade social, rico em biodiversidade, em minério de ferro e agora também com petróleo! Ninguém pode deter o Brasil, o futuro pertence a vocês!
Ao ouvir as palavras de meu amigo romano, muito mais velho e mais experiente que eu, uma esperança imensa, daquelas que chegam devagarinho pelas bainhas da alma e logo inundam o corpo inteiro, foi semeada em meu coração.
Alguns anos anos depois daquela tarde em Roma, quando o senhor, Michel Temer, já havia executado ao lado de Eduardo Cunha, o Golpe que o levou ao poder, recebi uma mensagem de meu amigo italiano perguntando se era verdade que o Brasil iria abrir mão do Pré Sal e leiloar nossa reserva petrolífera para que empresas estrangeiras a explorassem.
Tomada por uma imensa tristeza, disse que era verdade, que o Brasil estava vendendo a preços irrisórios uma das maiores reservas de petróleo do mundo, que havíamos chegado a mais de um milhão e seiscentos mil barris de petróleo por dia e a produção continuava crescendo, mas que estávamos entregando tudo às multinacionais.
Ele parecia tão perplexo e tão triste quanto eu.
Os italianos, que sempre amaram o Brasil como um país que acolheu milhões de calabreses, sicilianos e napolitanos em suas terras, agora haviam aprendido também a respeitar o Brasil como uma futura potência energética.
A forma como os italianos viam o Brasil havia mudado nos últimos anos, com as mudanças sociais efetivas, com uma postura menos subserviente aos EUA e meu amigo, um experiente jornalista romano, não conseguia entender como o Brasil, depois do Golpe, podia ter retrocedido tanto em tão pouco tempo.
Conversamos sobre a tragédia que isso significava para as futuras gerações e me lembro, como se fosse hoje, do que ele me contou sobre a Noruega, país onde vivera por 8 anos.
'Lúcia, a Noruega foi sempre um dos mais pobres do continente, até que, nos anos 70, ela descobriu petróleo no Mar Negro. Os noruegueses administraram bem essa descoberta, rejeitando todas tentativas dos americanos de explorar as reservas norueguesas. O lucro que eles obtiveram com os nove bilhões de barris de petróleo foi investido em escolas, universidades e em oportunidades para os noruegueses mais pobres e hoje a Noruega tem uma das melhores qualidades de vida e o melhor IDH do mundo. A Noruega não nasceu como você a conhece hoje, era um lugar com imensos problemas sociais. A Noruega fez a coisa certa, mas a Nigéria, que entregou suas reservas para os EUA, mergulhou na mais profunda miséria'.
Jamais esquecerei daquela tarde em Roma porque foi o momento em que eu percebi de fato que o senhor e seus asseclas, um grupo de homens mesquinhos e denunciados por corrupção e lavagem de dinheiro, haviam sequestrado o Brasil e que o resgate teria um preço altíssimo, seria um processo longo e poderia nos levar ao caos em que nos encontramos hoje.
Eu ainda não conhecia todos os aspectos de sua escorregadia personalidade e ainda não conhecia todos os crimes dos quais o senhor seria acusado meses depois. Corrupção passiva, organização criminosa e obstrução de justiça.
Mas já havia visto o suficiente de suas limitações e pequenas covardias, como não comparecer ao encerramento das Olimpíadas por medo de ser vaiado, e já havia ouvido o suficiente de suas mesóclises medievais e seus discursos machistas e vazios, para, como escritora, mulher e brasileira, sentir uma imensa vergonha do senhor.
Enquanto o senhor afirmava e que jamais havia praticado atos ilícitos, o empresário Joesley Batista afirmava, em sua delação que realizou entre 2010 e 2017, a pedido do senhor, pagamentos que chegavam a 3 milhões de reais em propinas. Outras denúncias vieram, mas o pior ainda estava por vir.
O senhor conseguiu aprovar um insano congelamento dos gastos públicos com Educação e Saúde por 20 anos, uma medida inédita no mundo, o senhor extinguiu programas como o Ciência Sem Fronteiras, o Farmácia Popular, que fazia uma diferença imensa na vida de muitos brasileiros, o senhor esquartejou a FUNAI, mudando com a ajuda do STF, o procedimento para a demarcação de terras indígenas, como se não bastasse todo o sofrimento imposto aos nossos irmãos indígenas ao longo da nossa histórias.
O senhor tirou mais de 300 mil famílias do Bolsa Família, um programa social elogiado pela ONU, para depois aumentar de forma ínfima o valor do benefício.
A Reforma Trabalhista, que, segundo o senhor geraria milhões de empregos, resultou em quase 13 milhões de desempregados, numa maior concentração de renda e em mais injustiça social.
Como se tudo isso não bastasse, o senhor tentou realizar o ataque mais cruel a Amazônia dos últimos 50 anos, tentou liberar uma região que abrange nove áreas protegidas, como o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, para a exploração e mineração privadas. Uma região preciosa não apenas pelos recursos minerais mas pelas imensas comunidades indígenas, formadas por humanos como nós, pelos quais o senhor parece não ter empatia.
O ataque foi impedido a tempo, mas sua biografia, que já vinha acumulando evidências de covardia, deslealdade e indigência moral, foi jogada para sempre no limbo da História.
O senhor conspirou contra uma presidente honesta, a quem jurou lealdade, e chegou a confessar, numa entrevista em rede nacional, que participou de um Golpe.
O senhor vive uma situação paradoxal e como um personagem de uma tragédia shakespeareana, descobriu que, mesmo tendo o poder em suas mãos, está profundamente só, refém de si mesmo e do rio de ódio que ajudou a irrigar, e não pode mais sair às ruas.
O senhor foi hostilizado ao tentar conversar com as mais de 150 famílias que moravam no edifício de propriedade da União, que por puro descaso e desumanidade, desabou no Centro de São Paulo na madrugada de terça-feira.
Não sabemos ainda quantas vidas humanas se perderam naquela noite, como o fogo começou, quando sofrimento poderia ter sido evitado e nem o que acontecerá com tantas crianças, idosos e mulheres que tiveram seus sonhos destruídos.
Mas sabemos algumas coisas. Sabemos que o senhor teve que deixar o local em poucos minutos sob gritos e xingamentos que entristecem um país inteiro.
A imagem daquele prédio em chamas é a metáfora de um Brasil em chamas, um país que está sendo incendiado, destruído da maneira mais triste e que hoje tentanos resgatar de todas as formas.
Enquanto o ódio e da intolerância se intensificam em um país que já foi famoso por sua cordialidade e seu respeito às diferenças, o senhor continua destruindo uma parte de nossa história a quem der mais. Destruindo direitos humanos e fundamentais e destruindo até mesmo uma estatal como a Embraer, uma empresa nascida na mesma região que eu, o Vale, no interior de São Paulo, e um das maiores do mundo na aviação.
Uma estatal fundada por um grande esforço da Aeronáutica brasileira (antes da Ditadura), do ITA e de grandes engenheiros da minha região, pessoas que eram amigas de meus pais e cujas histórias eu cresci ouvindo.
A Embraer recebeu inúmeros prêmios internacionais, criou empregos e sonhos para milhares de pessoas e foi a responsável por projetos como a fabricação do KC-390, o maior avião produzido na América Latina.
A decisão de um governo como o seu, sem legitimidade nenhuma, de manter uma ação que permite vetar a transferência do controle acionário da Embraer é vergonhosa e é uma imensa traição à soberania nacional.
Meus avós, senhor Temer, partiram do mesmo porto de Beirute do qual seu pai partiu e do qual partiram milhões de árabes em busca do Novo Mundo, fugindo da Grande Fome que assolou o Monte Líbano e parte da Síria depois I Guerra Mundial, da queda dos Otomanos e da decisão dos franceses e ingleses dividir os espólios do Oriente Médio.
Todos partiram do mesmo porto, acalentando os mesmos sonhos.
Mas o senhor tem muito pouco em comum com os corajosos imigrantes sírios - libaneses que um dia partiram de Beirute, sonhando em prosperar, e sonhando em construir um país. Ao contrário da grande maioria dos homens árabes que conheço, conhecidos no mundo por sua coragem, honra e lealdade aos seus princípios, o senhor chegou ao poder traindo uma presidente que não havia cometido crimes, e traindo projetos sociais aos quais o senhor havia jurado lealdade.
O escritor francês Michel de Montaigne tem um frase de que gosto muito para definir a covardia.
"A covardia é a mãe de todas as crueldades".


Pensem  nisso  enquanto  eu  vos  digo  até  amanhã.

A FARSA DA LAVA JATO

Grande parte  dos  brasileiros  ou  aqueles  que  tem um  pouco  mais de condições  de  informação, já  sentenciaram  essa  operação  LAVA  JATO,    que é sem  sombras  de dúvidas  um  esquema  com outras intenções.
Esqueçamos  esse bláblá, combate  aos  corruptos,  moralizar  o  PAÍS, livrar o  BRASIL    de  ladrões, limpar a política, tudo  isso  é  uma  imoral política,  que dá  nojo,  e  essas  notícias, tem  a participação asquerosa,  mau-intencinada,  da mídia brasileira  vendida  e que acoberta  essa  mentira  diária  para  o  povo.   A   operação  dos homens  de  Curitiba  é um  engodo, uma farsa.
É  lógico  e  se constata   na  nossa  realidade  que  somos um  povo  que ainda  precisa  muito  se  politizar,  se informar, e  viver  plenamente sua  cidadania  para  poder  brigar por  direitos e  deveres.
Pois, não  sendo  assim, o  poder  constituído, esses  grupelhos  que  hoje   mandam  e  vendem  o  BRASIL não  estariam fazendo, a  luz do  dia  e na calada da noite  essas  atrocidades  que  estão  fazendo  com o seu povo  e  com a nação  brasileira.
Pensem  nisso  enquanto  eu  vos digo até  amanhã.

LAVA JATO CHEIRA A CORRUPÇÃO E ENXOFRE

NÃO TENHAMOS MEDO DE AMAR

"É preciso te falar das minhas noites De angústias e dor Só o tempo é quem vai dizer Quem vai perder no jogo do amor Eu não quero mais ...